com quatro letras eu não conseguia dizer nada muito importante até não muito tempo atrás, mas as coisas mudaram. peço desculpa por não ter acreditado naquele pedido seu, lá no início: “seremos um trio”. eu achava que não seria possível. eu não entendia o que tava por vir. mas, pra minha sorte, as coisas não aconteceram como eu tinha pensado, não seguiram a ordem natural tola que existia na minha cabeça.
na verdade, antes disso, eu mal notava você. o seu rosa eu nem via, e eu nem sei porque. talvez, porque não goste muito da cor. mas também não via muita coisa. eu, cega. e eu que desperdiçava meu tempo.
acontece que as coisas não costumam acontecer mesmo como eu planejo. daí, como eu não planejei tudo isso, aconteceu de uma forma natural, tranquila, sincera e, por que não?, madura. aconteceu no tempo certo pra ser profundo, pra ser sem mágoas e pra ser de verdade.
agora, minha verdade pra você é que é de verdade. não houve decepção. e eu me incomodo quando falam mal de alguém que me cativou tanto, e de tal forma. eu mais que me incomodo, eu me enfureço – o que, apesar de não ser muito difícil, é muito natural, porque é muito natural a gente defender quem ama.
e é amor o que nasceu. é um amor-amigo, daqueles que não vão ter fim no fim, mas que podem ver nele mais um começo, um recomeço, um ciclo novo de uma coisa que não envelhece, mas se fortalece com o tempo, até virar estátua de ferro dentro do peito.
sendo assim, se o fim não me preocupa, não me preocupo em dizer que o fim é um começo pra nós. que depois da despedida, como já aconteceu, vai ter o reencontro. que depois do choro, ou antes, e mesmo durante, vai ter o riso. e durante a dor e a alegria, vai ter a companhia. e sempre vai ter a certeza de uma coisa que é real e não cobra e não espera, mas simplesmente acontece. por isso, por tudo isso, o fim não vai ser fim pra gente.
não preciso mais de um trio se funcionamos tão bem como dupla. já disse que você me ensinou a sambar. e o que seria de alguém que se pretende escrever sem o samba, já pensou? não seria nada, ficaria presa aos tons pastéis melancólicos, mesmo que bonitos, das melodias do camelo, ou de qualquer outro alguém.
além de dupla, você já conquistou seu lugar no pequeno, e nem sempre tão bem selecionado assim, grupo das pessoas que não dá mais pra eu esquecer, que mudaram o que eu pensava, o que eu sentia, o que eu fazia. você é parte das pessoas que eu já guardei na caixinha que eu levar comigo pro céu.
e é isso, se só coubesse a mim acreditar, eu já acreditaria, mas se você quiser embarcar comigo, eu penso assim: vai ser amizade sim, pra sempre, até quando a gente se encontrar com Deus. Mas que andemos com Ele aqui, desde agora, pra conseguirmos nos reconhecer quando chegar a hora.
já ouvi falar que amigo é mais que irmão, porque a gente escolhe. mas se a gente nasceu pra amar, e eu acredito nisso também, que o amor não fique restrito às pessoas que nos acompanham dentro de casa, mas que a gente viva de encontrar pessoas na rua que sejam igualmente importantes. eu encontrei você, e encontrei outros tantos poucos, é verdade, e levo comigo. vocês estão em mim, até o final, ainda que eu não reconheça de cara.
mais que isso só o orgulho de me sentir à vontade pra falar essas coisas de uma pessoa tão íntegra – e que merece “ouvir”. já passei boa parte da minha vida escrevendo, quem vai saber, pra quem talvez nem merecesse ler. amores acabam, mas amizades ficam… e a redundância aqui é essa, como eu já disse, amo você!